Alergia à picada de insetos

A biodiversidade do Brasil é fantástica e é motivo de orgulho da população frente a muitos outros países. Essa vantagem, à medida que cria soluções na área da saúde, às vezes também cria problemas médicos. A alergia à picada de insetos é um deles, e devido à grande quantidade de espécies, o diagnóstico, as manifestações clínicas e o tratamento dessa alergia tomam contornos complexos, como explica a seguir a médica especialista em Alergia e Imunologia pela USP-SP Dra. Lorena de Castro Diniz.

Quais os insetos responsáveis por este tipo de reação?

É importante lembrar que existem duas classes de insetos que podem causar este tipo de reação: hematófagos (alergia a picadas de mosquitos, pulgas, moscas e carrapatos), que é a mais comum, principalmente entre as crianças, causada pela saliva injetada durante a picada; e a outra é a classe dos himenópteros (alergia a picadas de abelhas, vespas, marimbondos e formiga) causada pelo veneno injetado durante a picada.

Como é feito o diagnóstico?

Milhares de pessoas são picadas por estes insetos todo ano. Todos desenvolvem algum grau de reação, porém menos de 5% da população é realmente alérgica. No caso de alergia a hematófagos, há sintomas na pele, com coceira e erupção no local da picada, que duram vários dias. Em muitos casos, transformam-se em feridas que podem infeccionar. É comum acontecer no primeiro ou segundo ano de vida da criança, tendendo a regredir ao longo dos anos. Acomete mais o rosto, tronco, braços e pernas. As lesões na pele são arredondadas, avermelhadas, firmes, podendo surgir uma bolinha no centro. A coceira é muito forte. O diagnóstico é efetuado pelo médico pela simples observação das feridas. Já na alergia aos insetos himenópteros, a reação pode ser só local ou sistêmica, com urticária, coceira e inchaço em várias partes do corpo, além do local da picada; aperto no peito e dificuldade de respirar; voz rouca ou língua inchada e sensação de garganta fechada; tontura ou sensação de desmaio; e perda da consciência ou colapso. A confirmação diagnóstica se dá com a realização de testes alérgicos feitos por um especialista.

Como eu trato essa alergia de formiga, abelha ou marimbondo?

Normalmente, após a picada há dor e o local fica vermelho e inchado. A aplicação de gelo e a limpeza com uma solução antisséptica são suficientes para melhorar os sintomas. Entretanto, existem pessoas que desenvolvem graves manifestações alérgicas que vão desde uma reação local de maior intensidade, por exemplo, acometendo todo o braço ou uma grande área do corpo, até graves reações generalizadas e choque anafilático. Essa é uma reação que necessita atendimento médico de emergência e, eventualmente, pode levar à morte do paciente se o tratamento for retardado. Se seu filho teve alguma reação do tipo alérgica após a picada de um inseto que injeta veneno, ele tem uma chance de 60% de ter uma nova reação similar ou pior se for picado novamente. Como a adrenalina trata apenas os sintomas e não a alergia, é vital que você procure um médico para que ele faça a avaliação do caso para estabelecer o diagnóstico e o tratamento adequados, no caso a imunoterapia, vacinas específicas para alergia.

Como eu trato alergia de hematófagos?

Em geral, são usados medicamentos locais, principalmente para aliviar a coceira. Às vezes, são necessárias medicações mais fortes, por via oral, em quadros mais severos. Pode ser feito na criança banho com permanganato de potássio e uso de anti-histamínicos orais. Deve-se cortar a unha da criança para tentar evitar com que ela fique coçando, pois através da coçadura a criança pode inocular bactérias na ferida. Em casos persistentes, o uso da imunoterapia é, sem dúvida, o melhor tratamento.

O que fazer depois de uma picada?

Sempre que possível leve com você o inseto que causou a reação na criança ou tente identificá-lo. É muito importante que o médico saiba o tipo de inseto a que seu filho pode ser alérgico. As vespas e marimbondos picam mais de uma vez. As abelhas deixam o ferrão após a picada, o qual deve ser removido imediatamente. Tenha cuidado em não apertar o corpo da abelha quando retirar o inseto, pois pode ocorrer a injeção de mais veneno.

Previna-se

• Use repelentes e mosqueteiros;

• Coloque telas nas janelas;

• Não acumule água parada;

• Aplique inseticidas nos ralos;

• Mantenha os animais livres de pulgas;

• Evite fatores que atraem insetos, como perfumes, loções ou óleos perfumados;

• Em passeios ao ar livre, não use roupas de cores vivas;

• Evite chegar perto de colmeias ou ninhos de vespas ou marimbondos, elimine-os sempre que possível.

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